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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Other side the world



Hoje sinto como se estivesse do outro lado do mundo.
Sozinha por opção, com uma ligeira melancolia criativa.
Estou com vontade de desenhar tudo aquilo que me vai na alma.
Não, não são questionamentos, nem grandes dúvidas existenciais.
É mais como, tomar consciência de quem eu sou e porque sou assim.
Confusa?
Talvez.
Louca?
Sempre fui assim.
Perdida?
Em mim mesma.
Cansada?
Da mesmice.
Mudança?
Ainda não.
Sinto como se estivesse pronta para abrir os olhos, mas acabasse me sabotando.
Acho que já disse que minha cegueira em relação à certas coisas e certas pessoas, é voluntária.
E não sei se realmente quero mudar essa condição. Ela é confortável, sabe?
Acho que em certos momentos não precisamos de ninguém, só de nós mesmos.







Satine



domingo, 26 de abril de 2009

Untitled II

Um pouco de whisky e um gole de misantropia on the rocks me parece o ideal às vezes.
Não, eu não desprezo a humanidade (não como um todo pelo menos), nem sou uma pessimista deprimida.
É só que às vezes, o isolamento me parece a solução de alguns problemas.
Ainda que solução meramente temporária.
Portanto, hoje me reservo ao direito de curtir minha solidão por escolha, a misantropia que me elucida, e o whisky que me entorpece.
Quem sabe assim, mergulhada na inércia e embriagada em pensamentos, eu resolva escolher estar acompanhada, só pra variar...
Quem sabe assim, me sinta mais a vontade sendo eu mesma, na presença de quem quer que seja.
Quem sabe assim pare de encenar, ou então, aprenda a interpretar melhor.
É isso o que todos nós fazemos mesmo, todos os dias, querendo ou não.
E já que é assim, quero ser ao menos convincente.







Satine

sábado, 25 de abril de 2009

Pais e filhos

Estátuas, e cofres, e paredes pintadas. Ninguém sabe o que aconteceu. Ela se jogou da janela do quinto andar, nada fácil de entender. Mas ainda sim, você pensa, que poderia ter sido você.
Que você também gostaria de se jogar pela janela. E já pensou sobre isso tantas vezes...

Nunca se sabe, onde começa e onde termina.
E nunca se sabe, qual o caminho a seguir.
O que deixou de acontecer em função das decisões que você tomou.
Só se sabe que é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, porque se você parar pra pensar, na verdade não há.
Então por que é tão difícil aceitar as pessoas como elas são, amá-las como se não houvesse amanhã?!
Por que é tão difícil aprender a não julgar as pessoas pelo que elas aparentam ser?
Se você sabe como é já ter sido julgado muitas e muitas vezes em sua vida...

Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar. Até que um dia ele deixa de vir. E você se pergunta o que aconteceu, sente falta, raiva e sente o pior dos sentimentos: a indiferença.
Já não se importa mais se ele nunca voltou...

Sou uma gota d'água, sou um grão de areia, mas às vezes, me esqueço disso e me julgo maior ou melhor do que alguém.

E você culpa seus pais por tudo, isso é absurdo. São crianças como você, mas ainda sim, você se acha no direito de culpá-los por tudo aquilo o que acha que foi obrigado ou deixou de fazer...


Satine

Trechos retirados da música Pais e Filhos, da banda Legião Urbana

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Tédio com um T bem grande pra você...

Tédio.
Tédio é um sentimento sufocante.
Não ter nada que te chame a atenção, nada que te prenda, nada que te mova.
Tédio é paralisante.
Te faz ficar deitado, olhando para o teto, imaginando estar a muitas luas dali.
Tédio é um grito abafado, um tiro silenciado.
Faz você ter vontade de se jogar pela janela.
Tédio é uma palavra rascante.
Tédio é uma enxaqueca constante.
E não há remédio que cure.
Tédio te faz refém de você mesmo, e não pede resgate.
Tédio é um disparate.
Satine

domingo, 22 de março de 2009

Sabor do Caos

O sabor do caos é amargo de frustração, quando o seu dia foi péssimo, quando nada deu certo e você se sente impotente por situações que não se pode mudar.
É esse sabor ardido e quente, de quando se está frente a frente com alguém que você sempre quis conhecer, um lugar que você sempre quis visitar.
É a boca seca, o nervosismo...
Talvez seja esse sabor doce e morno de vida cotidiana, massante, final de tarde chuvoso em que tudo que você quer é mudar essa vida radicalmente.
Provavelmente é o sabor quente de fazer o que dizem ser errado, de se tornar alguém à margem de tudo, mesmo que seja só por alguns instantes.
É o sabor azedo do desprezo e da solidão a dois, ou no meio de uma multidão.
Nessa vida de caos constante, nos acostumamos a fingir que não vemos, não sentimos,não sofremos, não choramos...
Nos acostumamos a esconder quem somos de verdade, interpretamos o tempo todo.
E no final do dia, ou no meio da madrugada, resolvemos ser nós mesmos na frente da tela de um computador... É seguro não é?
Eu acho frustrante, prefiro enfrentar meus demônios todos os dias, para depois vir até aqui, despejar o que eu infelizmente não tive coragem suficiente pra dizer. Então, percebo o quão prepotente sou, em achar que é fácil ser você mesmo 100% do tempo...
Talvez não seja justo com você ou com as outras pessoas. Todos temos segredos, verdade inconfessáveis, e alguns deles é melhor que permaneçam conosco.

E assim se vai mais um dia, e quando se percebe, você já se acostumou e fingiu que não sentiu o sabor do caos.

Satine